segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Brasil, abre os braços e feche as pernas

É mais que compreensível o questionamento de outros países sobre a segurança das Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro. Já são 20 mortos nos conflitos entre a polícia e os traficantes no Morro do Macaco. Conflitos constantes entre polícia e traficantes preocupam toda “gringa”. Mas o que deve preocupar os brasileiros? Todos nós sabemos que somos capazes de promover uma Olimpíada segura para nossos visitantes, até porque já sediamos um Pan-Americano de sucesso. A polícia faz um acordo com os traficantes e fica tudo na paz. Afinal, nossa polícia e nossos criminosos se confundem em uma linha tênue. Mas é justamente esse nosso “jeitinho” que deve nos preocupar. Quando vamos parar de amenizar problemas para uma boa política internacional e vamos passar a pensar no nosso povo? O desrespeito aos inocentes mortos nesse conflito do Morro dos Macacos ao ignorar a perícia criminal e enterrar os meninos como criminosos que deve nos preocupar. Antes uma cidade sem Olimpíadas que sem respeito ao cidadão. A política de “abrir as pernas” pro exterior e fechar os braços para os brasileiros me enoja. E fim...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Saúde pede socorro

Mais uma vez a saúde do Brasil pede socorro! Mais uma vez a falta de ética profissional transparece e nos faz questionar todo um sistema de saúde. Aconteceu ontem em Londrina a formatura dos estudantes de Medicina da UEL da qual 14 estudantes não puderam participar por comportamento impróprio dentro do pronto-socorro do Hospital Universitário. Segundo relatos de médicos e enfermeiras, os estudantes entraram portando bebidas alcoólicas e spray de espuma, fizeram algazarras, gritarias e ofenderam a dignidade de alguns pacientes. Eles também usaram fogos de artifício no pátio, o que causou muito susto aos pacientes. Bom, falta de ética profissional? Eu diria além, falta de respeito ao ser humano. A compaixão pelos adoecidos não se ensina em uma faculdade. Mas estudantes de medicina deveriam, no mínimo saber da importância que têm e a missão que levam ao poderem salvar vidas em um país que pede socorro. Caso um dia esses pseudomédicos atuem, o que vai ser de nós? Nessa mesma semana um médico perdeu a licença do Conselho de Medicina por prescrever a um paciente que ele seja encaminhado para uma “fábrica de sabão” pois não há mais esperança! Essa mesma semana outro médico perdeu a licença por fazer lipoaspiração sem ter nenhum curso pra isso e deixando marcas profundas nas pacientes (físicas e psicológicas). Agora me diga, os estudantes não levaram a sério o ambiente hospitalar porquê? Será que o sistema de saúde neste país se dá ao respeito? Não quero justificar, apenas digo que é essa raiz de falta de respeito com a saúde que reflete em atitudes assim. Viva os médicos que ainda acreditam e lutam diariamente para que os pacientes tenham atendimento digno. Viva as autoridades que valorizam os médicos e lutam para salários dignos. Como diz o ditado popular “com saúde não se brinca”.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O quê tu tens, Londrina?

Ontem foram decididas as eleições do segundo turno de vários municípios brasileiros. O que mais me chamou a atenção, não apenas pela proximidade, mas também pela bizarrice, foi à vitória de Antônio Belinati em Londrina. Apesar das inúmeras denúncias contra o prefeito, Belinati conquistou seu quarto mandato como prefeito de Londrina e pode assumir o cargo em janeiro de 2009.
Logo em seu primeiro mandato em 1976 Belinati foi acusado de superfaturamento em obras como a do Terminal Rodoviário de Londrina e na construção das 13 mil casas populares na Zona Norte da cidade. E o que aconteceu na eleição de 1988? Belinati conseguiu vencer a eleição para a prefeitura de Londrina. Desta vez foi acusado de ajudar vereadores a comprarem votos através da isenção do IPTU. E o que aconteceu nas eleições de 1996? Belinati prefeito de Londrina novamente.Desta vez, em 2000, Belinati foi afastado do cargo de prefeito e chegou a ser preso duas vezes, passando 10 dias na cadeia. Ele foi considerado o chefe da quadrilha que teria saqueado os cofres públicos em R$200 milhões.
Depois da vitória apertada por 51,73% contra 48,27% de Luis Carlos Hauly o Ministério Público entrará com o pedido de impugnação pela reprovação das contas públicas da cidade. Se este país ainda têm descência, o TSE não permitirá a candidatura deste homem. Segundo o ditado popular, cada um têm o governo que merece. Prefiro acreditar que o governo de Belinati não merece Londrina.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Parabéns aos deputados e senadores de 88

Hoje, dia 22 de outubro, o Presidente Lula homenageou os parlamentares que formaram a Assembléia Constituinte de 1988 e que votaram a Constituição Federal vigente no Brasil há 20 anos. Parabéns! Vamos falar da Constituição de 88.
Ela veio em uma hora de sufoco na política brasileira, quando os resquícios da Ditadura vieram à tona e, mesmo os mais alienados politicamente, se indignaram com os anos de Repressão Militar. Ulysses Guimarães disse ao assinar a promulgação da nova Constituição: “A Constituição pretende ser a voz, a letra e a vontade política da sociedade rumo a mudança”. Ótimo! Realmente foi um alívio poder garantir direitos em tempos de repressão. Se olharmos de onde partimos e aonde chegamos, o progresso foi nítido. Mas esse alívio, como tudo no país, foi imediato, a famosa medida provisória que é a filosofia da política no país. Mas o seguinte: essa medida é séria! Se criaram junto com ela muita burocracia e tributos considerados abusivos pelo resto do mundo. Atualmente a carga tributária corresponde a 37% do PIB nacional, e os trabalhadores não têm o retorno deste investimento na mesma proporção na saúde e nem na educação. Mas quem, depois de Ulysses, teve a iniciativa e a coragem de uma reforma completa desta Constituição falha? O Brasil não é mais o mesmo, passou por impeachment, planos econômicos, anões do Orçamento, afastamento de ministros, punição contra magistrados e alternância de poder. O abuso de impostos foi fruto de um imediatismo da Constituição, e agora esperaremos a força política dos parlamentares para mudarem a Constituição pensando no futuro do país, pois alívio imediato não basta. Quem se dispõe?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Crime passional é comum, não banal!

Há mais de uma semana convivemos diariamente com os nomes Eloá e Lindenberg nos noticiários. O seqüestro foi o mais longo da história do país, chegando a 100 horas de cativeiro. Enquanto Lindenberg mantinha sua ex-namorada refém, várias notícias de crimes passionais foram transmitidas quase que desapercebidas pelos jornais, no canto das páginas ou em notas ditas pelos telejornais. Marido mata esposa a facadas na região metropolitana de Curitiba. Operadora de telemarketing é morta em Pernambuco por ex-namorado. Essas e outras mortes por ciúmes, machismo e possessividade acontecem diariamente, mas os assassinos não viram popstar.
Lindenberg foi entrevistado por vários canais de TV enquanto mantinha Eloá em cativeiro. Ele assistiu aos programas que falavam sobre ele exaustivamente: onde trabalhava, há quanto tempo namorou Eloá, onde jogava futebol, qual o motivo de seu ciúme. E o pior, sabia em detalhes toda a ação da polícia. O jovem sentiu o poder de ser conhecido e foi escutado por pessoas que mesmo próximos não tinham parado para o escutar. O comentário dos amigos é sempre a respeito do seu jeito "calado", e agora todos entendiam o que passava na sua cabeça.
Mas e os outros assassinos passionais, são diferentes? Porquê este caso foi tão massificado pela mídia e a ação da polícia tão demorada?
Aposto que o velório de Jaqueline de Brito assassinada pelo marido em Ponta Grossa não teve 5.000 pessoas como o velório de Eloá.
Simplesmente errada a ação da imprensa em exaustivamente se utilizar de um crime cruel e complexo como este, infelizmente mais comum do que imaginamos, para ter disputa de Ibope e audiências elevadas.
A crise financeira continua e o segundo turno das eleições municipais acontece dia 26 de outubro. Mas e daí, se perguntam os editores.